quinta-feira, 20 de maio de 2010



Solitário é um sujeito apaixonado pelo Flamengo. Reserva seu lugar expremido nas partidas que lotam, mas principalmente, comparece em jogos perdidos.

Um jogo perfeito para Solitário é quase apocalíptico: Com a noite em seu horário maior, chuvas-sem-fim e ventos uivantes. E para completar, o Mengo deve estar em crise.

Quando essas situações se combinam, Solitário abre um sorriso no seu velho e surrado rosto. Sabe o que é o Flamengo. Veste seus sapatos furados, suas calças imundas e sua camisa rubro-negra mais infestada por traças. Parte ao Maraca.

O Velho de Guerra conta que compareceu a um jogo dito perfeito em 99.
Era Mercosul, e pra passar da primeira fase, o Mengo teria que meter 5 no Universidade do Chile, jogando em casa. Corinthians e Nacional do Uruguay tinham 5 e 4 de saldo, respectivamente.

Naquela noite, como já era de praxe, Solita vai ao Maraca. E impressiona-se: O Estádio estava completamente vazio. Um silêncio sepulcral, amedontrador. Só o som do vento e dos grilos reinavam na Tijuca. Ele era um adepto aos jogos desconhecidos e perdidos no tempo do Mengão.

Jogos que, às vezes, até o próprio Flamengo se esquece de ir. Mas aquilo era inédito:
Lá estava Solitário de Oliveira, no Gigante de Concreto, no Maior do Mundo, completamente seu nome.

Ele vê O Mais Querido abrir o placar com Caio, aos cinco. Logo após, gol de Romário. Logo após, gol de Romário. Depois, gol de Romário. O Baixola estava o cão naquela noite, metera três praticamente em sequência. Mas Solita ainda não estava feliz, pois faltavam ainda um gol para avançar de fase no Campeonato Sul-Americano.

Ele, e mais ninguém, vê Marco Antônio fazer aos três. Felicidade era senhora, agora. O Velho ainda vê Romário e Rodrigo Mendes conquistarem dois gols e fecharem o caixão.

Flamengo sete, Universidade do Chile zero.

Onze anos depois, Solitário já não consegue mais se aventurar nas noites frias para ver o Flamengo. Ainda sim, veste seu mesmo tênis, suas calças imundas e sua camisa rubro-negra mais infestada por traças, sangue e suor. E senta na sua cadeira de balanço, e cola seu ouvido no Rádio, pra continuar ouvindo milagres.
Um abraço e Saudações rubro-negras, Yuri E.

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2 comentários:

Anselmo disse...

:)

anderson disse...

FODA.

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