sexta-feira, 16 de julho de 2010
Nesse mundão de nosso Deus há muitos tipos de jogadores. Há os boleiros, os raçudos, os ídolos. Há também uma minoria de inesquecíveis, mas pouco conhecidos. São jogadores que não se consagraram, não ganharam títulos internacionais, mas estão no coração de cada um que viu jogar. São os que eu chamo de "jogadores de avô". Geraldo Assoviador é um deles. Nada famoso, nada idolatrado. Mas inesquecível.

Geraldo nasceu em Barão de Cocais, em Minas, e veio pro Rio jogar bola. Entrou em 73, nas divisões de base, época em que Zico também jogava. Dizem que Geraldo e o Galinho eram inseparáveis. Um dormia na casa do outro, e de tão parceiros Seu Antunes chamava Assoviador de "filho preto", tamanha união entre os dois jovens craques.

Alguns contemporâneos de Geraldo o criticavam. Chamavam de irresponsável, diziam que ele não levava futebol a sério, um descompromissado. Ele jogava com as meias abaixadas, a blusa por fora do short, e assoviando. De preferência Your song, na versão de Billy Paul.
Queriam um meio-de-campo com a cara do futebol Europeu. Sisudo, com cara de touro. Mas ele era brasileiro, caramba ! Jogava bola como quem soltasse pipa, rodasse peão. Como quem conversasse em uma esquina. Era o Brasil representado por dribles curtos e precisão cirúrgica dos pés de Geraldo. E chegou a ir pra seleção, entre 75 e 76.

Geraldo não queria saber que estava em um Maracanã lotado, jogando com a camisa do Flamengo. Brincava de ser moleque, de ser subúrbio e jogar nas ruas de terra. E como todo moleque, tinha medo.

Ele precisava fazer uma cirurgia nas amígdalas, mas tinha medo de operação. Foi marcado uma cirurgia para Geraldo no mesmo dia de uma de Zico, para corrigir o desvio de septo. Mas Geraldo não apareceu. No dia seguinte, foi feita a tal operação. Durante ela, Assoviador sofreu um choque anafilático, vindo a falecer. Era 1976 e o Flamengo se montava para anos depois ser o Maior do Mundo. Certamente Geraldo estaria lá.
Ele morreu com 22 anos. Durante a curtíssima trajetória, chegou a ser comparado a Pelé por jornalistas da época. Quem viu tem saudade, quem não viu imagina.

Sua vida foi linda e passageira, como um assovio afinado.


Abraços e Saudações rubro-negras, Yuri E.

4 comentários:

anderson disse...

história emocionante, vi um dcumentário sobre ele, jogava demais,foi a geração de 70/80 que o perdeu

belo texto nego, parabéns

[CRF]Raulzin disse...

São coisas da vida, teve que ser assim. Talvez se ele não tivesse morrido a nossa época de ouro iria ser mais de ouro ainda, como também podia não ser tão de ouro. E eu como não vi, fico imaginando

Ótimo texto.

Adryelle disse...

ótimo texto, passei a conhecer um pouquinho mais da história do Flamengo e do Geraldo.

Fernando disse...

Olá nação rubro-negra um abraço, esse eu tive o prazer de ver jogar, um cracaço de bola, talves o destino ja estivesse trasçado, para deixar o caminho livre p/ Zico, porque esse era mais um craque, jagava facil, brincava de jogar futebol, que Deus o tenha em bom lugar,
Uruburocha - Feira de santana-BA

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