segunda-feira, 14 de junho de 2010
Tirei essa semana decorrente para exercer a vagabundagem e o meu eu-parasita. Não faço nada a ninguém, e decidi que vou escrever nesse Diário Virtual e Rubro-Negro com mais frequência.

Como é visível, o frenezi da Copa é gigantesco. Com isso, a falta de notícias relacionadas ao Flamengo é grande, o que faz a falta de assunto ser maior ainda.

Em busca do que falar, fechei os olhos, como um oriental meditando. De início, não veio nada na mente. Só o som das vuvuzelas que são sopradas nesse Japão x Camarões que tá rolando. Tornei a fechar. E veio uma estranha sensação. Eu confesso que sou totalmente retrô. Meus gostos são populares. Populares na década de 10 e de 20. Mas foi estranho pra caralho. Foi além do que gostar do que é velho. Foi voltar no tempo e assistir tim-tim por tim-tim.

Mirei meu olhar no que estava ao meu redor. Vi senhorinhas e senhoritas de lencinho na mão, proibidas de conversar, com seus sunglasses e seus chapelões. Observei senhores já de pouco cabelo, elegantíssimos. De terno, sapatos brilhantes e pince-nez. Chapeaus na cabeça.

Olhei também para o gramado e para a arquitetura da arquibancada. Estava na Zona Sul do Rio, em Laranjeiras. O Estádio de Álvaro Chaves iria apresentar a final do Campeonato Estadual de Football de 1914: Flamengo e São Cristóvão.
O Flamengo era uma equipe de Futebol novíssima. Fora fundada em 1912. Porém, o Grupo Flamengo já era respeitado na cena desportiva carioca. Era um Clube de Remo com moral.
O São Christóvão era um timaço, e na final era franco favorito. Time do subúrbio, também foi fundado como um Club de Regatas, mas partiu para a bola logo depois, ao se juntar com o São Christóvão Athetic Club.

O Flamengo entra com Baena, Píndaro, Nery, Ângelo e Miguel ; Galo, Arnaldo, Borgerth (Fundador do Futebol no Fla) e Baiano ; Riemer e Raul.
O time base tinha mais ou menos 9 jogadores que haviam saído do Fluminense Football Club, devido uma discordância de ideias. Liderados por Borgerth, foram jogar no Mengo.

Os jogadores adentram o gramado sérios, vestindo a camisa Cobra-Coral, tão linda e esquecida no tempo. O Fla, mais tarde, seria proibido de jogar com esse uniforme, devido a semelhança do Branco, Preto e Vermelho com a Bandeira da Alemanha Nazista de Adolf Hitler.

É sensacional. Vejo o Fla vestido de Cobra-Coral, o juíz de preto e de cadarço na gola, a bola marrom e de couro. Vejo os casais de senhores ainda jovens, acompanhando recatados a partida. Era a elite Carioca vendo o esporte bretão, que mais tarde seria a paixão da massa. Talvez, em 14, o Soccer ainda era menos popular que as corridas no Jóquei, mas já atraía a burguesia.

O certame fora dificíl pra cacete. O jogo lá e cá e chuva de gols. Quatro do São Christóvão e também do Flamengo. Empate justíssimo. Riemer marcara três gols e no final, na raça, cara e coragem Arnaldo, nosso parrudo artilheiro (talvez o mais forte dos 11 rubro-negros) marca pro Flamengo.

Quatro a quatro e o Flamengo, pela primeira vez no football, campeão.

E desde a República do Café com Leite, do Rio de Janeiro-Capital, de Lima Barreto e Rui Barbosa, o Flamengo já se mostrava gigante.

Ele conseguia sua primeira conquista Carioca no futebol. Superando as espectativas na raça e na força, com muitos chutões de bicos e trombadas.

Abro os olhos e escrevo este post absurdo e mal escrivinhado. Talvez seja absurdo por ser mal escrito. Mas chego a conclusão que o Flamengo, com sua garra e seus carrinhos, é tradição. Tradição pura, parceiro.

É de pai pra filho, pai pra filho, pai pra filho. Até chegar a 35 milhões de pais e filhos.

4 comentários:

Adryelle disse...

Foda! :}

anderson disse...

Engraçado ver que a burguesia dava moral pra um esporte que tava só começando,só o fla pra fazer isso mesmo..

Flamengo maior que tudo e todos \o/

Romulo disse...

o flamengo é tradição

Thais disse...

Vai se fuder, Yuri. Mal escrito tá sua cara... porque seu post tá lindo pra caralho. Me emociono com seus textos! Você é foda moleque.

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