domingo, 10 de abril de 2011

Era apenas um moleque botafoguense, como quase todos em Juiz de Fora. Reduto de alvinegros em Minas Gerais, ele era só um menino fanático pelo Fogão Encantador. Sua infância, certamente, foi passada vendo o maior Botafogo da História, com heróis como Garrincha, Quarentinha, e outros monstros.

Viu também, em 1972, o time do Botafogo enfiar uma sacolada de 6 a 0 no Flamengo. E aquele jogo ficou na memória de Jorge Luis.

Jorge Luis tinha virado Andrade, ídolo do Flamengo. Ou Tromba, pros companheiros de Gávea. Conhecido por ser quieto, ganhara esse apelido por ficar sério quase sempre. Seriedade que ele carregava consigo também em campo.

Bola nos pés de Andrade, torcida no colo da tranquilidade. Era assim. Se o Tromba pegasse na bola, era como se o jogo ficasse em câmera lenta, só pra ele. Ele dominava, olhava tudo ao seu redor e conduzia a bola com classe, como quem conduz uma orquestra.

Nove anos depois do 6 a 0 de 72, o destino lhe pregaria uma peça. Lá estava ele, subindo o túnel do vestiário do Maracanã. Era Fla x Fogo, em 81 . O jogo começa alucinante. Sete minutos, gol de Nunes. Era uma pressão insuportável do Mengão, que no final do primeiro tempo já tinha metido 4 a 0. Já era memorável, mas tinha que ser histórico.

O jogo se perdurava, e a galera ansiosa. Trinta minutos da etapa final, o juiz marca pênalti pro Flamengo. Foi um parto. Zico cobra com maestria, e a massa explode o Maracanã. Explode dessa vez, não só de alegria, mas de ansiedade. A vingança rubro-negra iria representar mais que o próprio título.

Aí a torcida gozou de alegria. Eles sentiam que a vingança ia ser naquele dia. Era a hora de jogar fora um velho pano alvinegro, com os dizeres: 6 x 0.

Foram doze minutos de agonia. O jogo chegava aos 42 do segundo tempo. Adílio pega uma bola na linha de fundo, olha o jogo e cruza. O zagueiro do Botafogo rebate. . .tolinho, tolinho. . . mal sabia que a pelota ia parar nos pés de Jorge Luis.

Andrade levanta a cabeça, e espera a bola chegar nos pés dele. Sereníssimo, bate com a perna direita e a bola morre no fundo da rede de Paulo Sérgio.

A massa explode de euforia. Nada mais importava, o Flamengo já havia se vingado. E depois do gol de Andrade, a torcida pede o final do jogo. Eles não queriam 7 a 0, queriam 6.

Final do jogo, e o cheiro de alegria impregnava o Maracanã.

Ao chegar no vestiário, perguntam pro Andrade como ele se sentiu. Tromba responde:

- E eu era botafoguense. . .

Lembra do menino que idolatrava os heróis do Botafogo ? Pois é, ele não precisava mais se espelhar nos mitos. Ele já era um.

2 comentários:

anderson disse...

baita texto, parabéns. andrade > all

Gk disse...

Belo texto. Parabéns!

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