domingo, 5 de setembro de 2010

O meu primeiro jogo no Maracanã foi deprimente. Era Fla-Flu, mas por mais clássico que fosse, já não valia nada. Os dois times jogavam para cumprir tabela, naquele bizarro Estadual de 2002, que não foi chamado de Caixão à toa.

Ouso dizer que aquele time do Flamengo foi um dos mais fracos da história do clube. A equipe contava com peladeiros como André Gomes, André Dias, Rocha e outros que minha memória, felizmente, se recusa a recordar.

O jogo foi 4 a 1 pro Laranjeirense, com um show de horror da nossa seleção de craques.

Mas o que realmente marcou em mim foi uma cena que vai ficar guardada na minha mente pelo resto da minha estada aqui na Terra.

Aconteceu que, em um certo momento do jogo, uma criança que estava sentada ao meu lado nas arquibancadas, começou a chorar desesperadamente. Eu, com 7 anos, movido pela frustração de estreiar tomando um sacode no Maraca, quis imitar o menino.

Chorei, no início, só por querer ter o prazer de ficar puto com o Flamengo (prazer que se repetiu durante quase toda tarde de domingo por um bom tempo).
Só que depois veio a tristeza de começar com o pé esquerdo minha saga de torcedor, e chorei de soluçar. Meu pai, vendo aquela cena, me puxa pelo braço e diz:

- Calma, filho. Isso é futebol.

Hoje, cinco do nove, não precisei ir no Maracanã com meu pai. Sofri como todo domingo, mas hoje foi bem pior. Era a despedida do Maracanã. Minha última vez no Mário Filho de verdade, aquele que meu pai conheceu, e mais tarde me levou para desfrutar também.

Como o menino de 2002, vi Raul, que também escreve aqui, aos prantos do meu lado. Diferentemente da primeira vez, sem nenhum esforço me entristeci e chorei também.

Se eu tivesse a oportunidade de dizer alguma coisa para aqueles gananciosos que querem ganhar dinheiro o mais rápido possível em cima da Alegria do Povo, eu diria o mesmo que meu pai disse pra mim.

- Calma, filho. Isso é futebol.

Abraços e Saudações Rubro-Negras, Yuri E.

11 comentários:

Nivinha disse...

Excelente texto! No fim do jogo eu sentei sozinha e com o olho cheio d'água, observei o maior do mundo e pensei em quantas alegrias tive ali!
O Maraca é nosso!
SRN!

www.flamengoaspirinaseurubus.blogspot.com
www.magiarubronegra.com.br
@NivinhaFla

Matheus Macário disse...

Muito boom o texto...vai ficar na memória esse estádio msm...Adeus Velho Maracanã.

Victor Hugo disse...

Show de bolaa!!! *-*

Andrês Knoll disse...

Bom texto cara, parabéns!

Adryelle disse...

Nunca fui, mas sinto falta do mesmo jeito. Maraca é o maior templo, e sempre será, em nossas memórias!

anderson disse...

lindo texto, parabéns,sendo velho ou novo, maraca é nosso sempre!

Victória disse...

Yu, não canso de falar que voce escreve absurdamente bem s2'

marcelo disse...

Como parte de um monte de felizardos que sofriam com a falta de conforto mas que dividiam com prazer o Maraca com mais 100, 120 ou até mesmo 150 MIL torcedores, dá uma ponta de tristeza em saber que o Maior do Mundo ficará tanto tempo fechado. Mas a Copa tá aí, ele precisa ser remodelado para o evento. Mas, pelo menos na minha memória, existirão momentos impossíveis de esquecer: os 9 a 0 em cima da Portuguesa da Ilha do Governador, em 1978; a final do Brasileiro de 1980, um delírio; a despedida do Galo; e por aí vai.

Querendo uns ou não, o Maraca será SEMPRE nosso!

£eninha disse...

Meu querido,
Em 1958, chegando de Belém do Pará, para residir no Rio,fui pela 1ª vez ao maracanã, levada pelo meu pai.Chegando lá lembro que fiquei extasiada vendo aquele gigante, com os gritos e cantos da nossa torcida, recordo que perguntei ao meu velho pai, se eram meninos que estavam jogando, pois da arquibancada assim me parecia e por incrível que pareça, foi o jogador de menor estatura que fez o gol do Fla, era o ponta esquerda Babá, daquele time que tinha o ataque Moacir, Henrique,Dida e Babá.
Foi o meu primeiro grito de gol, lembro que no colo do meu pai eu e êle vibramos muito .
E hj ao vir até aqui no seu blog , vendo a foto acima,passou um filme na minha cabeça me reportei aos tempos em que o Maracanã, recebia cem mil pessôas, das contagens que a nossa torcida fazia para zoar os botafoguenses, que não conquistavam títulos, da Charanga do Jaime
e da alegria que era ver a nossa torcida comemorar os goals do nosso time de coração.Lembrei tbm do meu velho pai , que só assistia os jogos do Fla da geral, com sua almofada vermelha e preta e que não ia ao Maraca de jeito nenhum qdo o Fla jogava com o America, pois o mequinha naquele tempo era uma pedrinha na nossa chuteira.
É amigo, vc tem toda a razão "Não levarão nossa Alma"!Jamais !
Abraços e SRN !

JEFF disse...

Belíssimo texto. Parabéns. Ontem revoltado com a falta de gols, fui surpreendido pela festa que continuava. Sinto-me no Maraca como se estivesse em casa. É um pedaço de mim. Como já sofri, chorei, sorri, vibrei naquele espaço. As obras são absurdas. O tempo de fechamento desnecessário. As desculpas esfarrapadas. Estão tentando acabar com a alma do estádio. Mas, como o profeta sabe, a alma RN é imortal e dará um jeito de se mostrar mais uma vez superior aos desmandos políticos. FLAmém! @IgrejaFlamengo Hoje não dará, mas amanhã tentarei falar um pouco sobre o Maraca em meu humilde http://igrejaflamengo.blogspot.com Espero estar inspirado como você. Parabéns.

William Areias disse...

Mano passei alegrias e tristezas naquele espaço arquitetonico que eu posso humildimente chamar de casa, desde uma derrota humilhante para um tal de Santo André até o êxtase de um Título Brasileiro ano passado, vou guardar com carinho todos os perrengues, todas as latadas de cerveja, todas as lagrimas, todas as vezes que griti gol ou xinguei um perna de pau, enfim vou poder contar a nova geração que eu vivi um maraca de verdade, espero que não tirem isso deles, essa tentativa de elitizar o que é um bem tombado pelo povo. Agradeço por poder viver e contar, e espero que nossa casa volte o mais rápido possivel a ser nossa SRN!

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